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sábado, 24 de janeiro de 2015

Mar de Concreto

Se afogue em seu próprio mar de concreto
Me deixe aqui isolado na minha ilha do faz-de-conta
Enquanto sofro com minha liberdade de não fazer nada
Me deixe aqui, sozinho em meio a muitos
que me acompanham nessa utopia da liberdade
Eu busco o que muitos dizem ter
mas nenhum sabe me dizer
o porque, de ser assim
que pra se ter liberdade, se tem que escravizar a alma
e a perde em meio a ganancia do que-mais-tem
quando na verdade nada se tem
além da própria ganancia se afogando no mar de concreto
se afogue
se afogue
em agonia pela busca da liberdade
se afogue
se afogue
em sua própria ilha isolada da humanidade
Consuma
Compre
Enquanto continuo aqui, desfrutando do infortúnio
em ver suas vidas queimar, em busca do que-mais-tem
Deem o pão ao circo grande estrela
a bola que insiste em continuar a girar
faz a multidão gritar e gritar
Não esqueça de seu mantra grande estrela
sempre repita e não deixe de acreditar
que tudo vai acabar bem
que ninguém vai mais ficar ao relento
jogue seu pão aos menos afortunados
jogue
deem a eles o que seus filhos da liberdade tanto lutaram para ter
não que seja algo ruim
Afinal quem sou eu pra falar algo, sou somente mais um sofredor na ilha do faz-de-conta, que observa tudo por um tubo de luz
Que inveja do escravo da liberdade, que inveja
Não esqueça meu querido amigo
Repita o mantra da grande estrela vermelha
Se afogue em seu próprio mar de concreto

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